Octavio Mora
Cerco
muito mais a suas sombras que as reais presenças.
Mas o fio perco.
Entre meus braços, a corpórea lembrança da mulher
que tenho presa, perde-se: só um desenho deixa
seu rosto na memória.
Sobrepõe- se a tudo que, solto no espaço,
a custo recomponho lado a lado: do sono o sonho,
do ar, seu cabelo revolto.
Ergue-se com o vento. Acima da terra,
sente a falta de horizontes visíveis, alta:
montanha sem céu que a redima.
Oculta-me ainda que, entre estes braços, meus e seus,
fuja na própria existência, em cuja escuridão, volto ao seu ventre.
Mostro-lhe pássaros, conforme porém, a imagem que a repete
será seu rosto. O olhar reflete assim, só o sono de quem dorme.
Recordo- a. Pelo ar de abandono com que a memória atém-se,
o medo de expandir vê-se-lhe. E, em segredo, prendo-a, por dentro, como o sono.

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